Voltar é uma ilusão: estamos sempre indo.
Vou procurar resumir muita coisa, muito embora sabendo que não vou conseguir.
Não sou uma pessoa comum, como meus Ãntimos sabem. Apesar de eu me achar um mero ponto no meio da multidão, as outras pessoas vêem em mim algo brilhando que atrai dois tipos de sentimento, a admiração e a inveja.
Por um lado, nunca soube lidar com a admiração alheia porque no meu Ãntimo eu sei (e algumas pessoas mais atentas observaram) que meu grande potencial intelectual rarÃssimas vezes se traduziu em resultados a meu favor – ou a favor de quem quer que fosse. Todo mundo achava uma maravilha que eu tenha a memória tão boa, que eu tenha capacidade tão grande de aprendizado, enquanto eu me perguntava qual a serventia que aquilo podia ter, uma vez que eu nunca conseguia tirar proveito disso. Não sou nada mais que um talento bruto, muito duro pra ser lapidado. E sem lapidação não tem utilidade nenhuma.
Mudei de cargo na Ferrovia e comecei hoje no prédio da Sede. Trabalho como Técnico de Suporte na área de Marketing. Ao chegar hoje, pontualmente à s 8h, só havia duas pessoas no setor – que me falaram ‘senta aÃ, o povo já vai chegando pra te ensinar o serviço’. Fiquei tempos à toa até chegarem todos e fazerem uma micro-integração comigo, onde eu fiz o possÃvel pra não aflorar meu lado anti-social. Procuraram me ambientar no setor, me deram um login, um computador, um telefone, mas não me deram o principal pra mim: atribuições. Tarefas. Deveres. Só pude deduzir duas coisas: que todos lá são hierarquicamente superiores a mim e que eu devo estar pronto pra fazer de tudo. Enfim.
A primeira impressão é a que fica. A minha foi todo o conforto envolvido naquele setor, tão diferente de Ferraz, onde eu trabalhei a maior parte do meu tempo de Ferrovia até agora. Me senti muito inferior àquilo tudo. Desorientado, não ambientado. Morro de medo de abrir a boca e falar merda. Sempre fui mais organizado que criativo, falei isso na dinâmica de grupo, no processo seletivo, e me enfiaram numa área onde a regra é ser criativo. Não sei se criatividade é um dom inato ou se é adquirido. Tomara que seja algo que se possa conquistar à ponta de disciplina. Virtude, aliás, escassa em mim.
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Vou abandonar a USP. Tou tentando ver se pelo menos consigo trancamento fora de prazo.
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Aliás, do que adianta passar duas vezes no vestibular da USP, o mais cobiçado do PaÃs, e não ter disciplina pra levar o curso em frente?
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Estou pensando em prestar vestibular de novo, mas pra outro curso, com algo mais de futuro, como Administração ou Ciências Contábeis. Meu problema é a falta de disciplina e o excesso de confiança na capacidade de improviso.
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Uma coisa disso tudo foi bom: sair da Barra Funda. Bem, antes eu já tinha conseguido. No dia em que fui fazer a dinâmica de grupo, o chefe da Barra Funda disse que eu podia fazer a tal troca, mesmo com a perspectiva de mudar de cargo em 12 dias. E assim foi que eu trabalhei 12 dias na estação Jaguaré, inclusive no meu aniversário, em 21 de abril. No feriado, fiquei contando as moscas que passavam por lá, bem diferente da Barra Funda. Até mesmo na maneira como as pessoas lá me trataram. Se não fosse a mudança de cargo, JAMAIS eu ia querer sair de lá.
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Tou sem saco.
Tracionado até aqui por Naná que às 23h30 não tinha nada melhor pra fazer...
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