Calmon Viana - O fim da linha


De mudança. Odeio isso.

(...) I'm just gonna get out of this prison cell
Someday I'm gonna be freeeeee oooowwwww (...)


(Queen, Somebody to love)

Pior do que viver em uma prisão é viver em duas.

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A Barra está FODA!

Agora posso falar bem sobre como têm sido minhas últimas experiências nesse lugar-dos-inferno.

A primeira impressão é realmente a que fica, nesse caso: dificilmente eu trabalharia mais e mais pesado em outro lugar na minha vida. A segunda também ficou: como diria o profeta bíblico Jeremias, enganoso é o coração, mais que todas as coisas, e perverso: quem o conhecerá? Contando desde o começo, pra contextualizar:

- Logo no primeiro dia, me mandaram pra bilheteria mais movimentada do sistema de trens do Brasil. No fim do dia, no fechamento de caixa, tinha um real a menos - até que não fiz feio. O problema é que o fiscal tinha feito lançamentos errados que davam uma diferença de mais de mil reais e não encontrava o erro. Beleza, todo mundo erra; fui tirar meu uniforme enquanto ele procurava o erro. Me troquei e ele não encontrou. Fui eu a procurar o bendito erro e encontrei. Parece que não caiu bem essa atitude. O tal fiscal me odeia até hoje.

- Me apresentaram depois para o encarregado da estação. Pra uma pessoa como eu, que estava acostumado a conversar papo de boteco com o encarregado em Ferraz de Vasconcelos, ter um encarregado que só dirige a palavra quando você está a ponto de fazer merda não é muito bom.

- O tal fiscal apronta uma série de arapucas pra me pegar em passo-em-falso. Um dia ele conseguiu.

- Dia 12 de março, atravessei a cidade com sono pra fazer uma prova de concurso interno da empresa, pra subir de cargo. Eram 500 pessoas pra 3 vagas. Português e matemática. Até que fui bem, pensei ao conferir que tinha acertado toda a prova de português e errado só 30% da prova de matemática. Fui no mesmo dia encarar a Barra.

- O tal fiscal e o encarregado aparecem um dia de surpresa na minha bilheteria e vasculham ela todinha pra, supostamente, me pegar 'em flagrante roubando troco dos usuários'. Fecharam meu caixa e conferiram tudo, nota por nota, moeda por moeda. O fiscal com a calculadora do lado, com uma visível expressão dizendo 'quero ver sangue'. Procedimento ilegal: ELES contaram meu dinheiro. EU é que deveria ter organizado tudo. Resultado: R$ 0,20 a mais. A decepção estampada na cara do fiscal sanguinário. A expressão de 'na próxima eu te pego' na cara do encarregado. E eles saem da bilheteria do mesmo modo como entraram: sem dar nenhuma explicação.

- No outro dia, TODA a estação fica sabendo. Era o que me faltava, alguns colegas de trabalho que adoram fofoca.

- Saiu o resultado do tal concurso: fiquei em terceiro lugar geral. Classificado para a próxima fase, a tão temida avaliação de perfil - sua virtual futura chefia avalia se você tem perfil pro cargo pretendido. Qual o tipo de funcionário que eles procuram? Não sei. Só eles sabem.

- A Barra está ficando cada vez mais foda.

- No auge da pressão, consigo uma menina de outra estação que está disposta a permutar comigo, para eu sair de lá. Em questão de dois dias preparei todos os papéis para mudar imediatamente. Meu chefe, aliás, assinou o papel sem nem ler, sabendo que era um papel para a minha transferência. Quando tudo estava certo, 'lembraram' que eu estou com data marcada pra fazer perfil pra mudar de cargo e sair da área de estações. Suspenderam a troca até saber se vou ou não ser aprovado. Ou seja, encaro a barra pesada por mais uma semana.

- Depois da vasculhança na minha bilheteria, TODOS os dias falta dinheiro. E não é pouco: no mínimo 10 reais.

- Conto nos dedos os dias que faltam para cada folga.

FIM.

Resumo: Em Ferraz de Vasconcelos eu era feliz e sabia. Não sabia era que eu ia ser tão infeliz na Barra Funda.

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USP - Universitário Sem Propósito

Tenho quatro matérias apenas, felizmente. Em três delas a classe é mais ou menos a mesma. Menos mal. E em três delas tem um menino muito fofinho junto comigo na classe. Se bem que eu me lembrava dele mais pela camiseta amarela que ele sempre usa do que pela beleza dele. Acho que foi a única coisa boa que aconteceu desde que eu entrei na USP.

Aulas todos os dias. Leituras novas todos os dias. Isso conjugado com Barra Funda todos os dias não dá nada de bom. Não tenho tempo pra ler nenhum texto, mal-e-mal fazer os trabalhos. Some-se o fato de eu morar a 60 km da USP. Estou o pó.

ODEIO a USP. ODEIO a Barra Funda.

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Já ouviram falar em Capão Redondo? Hoje fui com meus pais e meu irmão menor ver uma casa pra alugar por lá. Em breve vou sair de Calmon Viana e deixar definitivamente pra trás um pedaço muito feliz da minha vida, as lembranças do percurso Ferraz X Calmon. Quem sabe eu não mude o nome do blog para "Capão Redondo - o fim da linha".

Cabou-se meu saco.

Abraços pra quem é de abraços. Quem não é de abraços eu mando solenemente pra Barra Funda.


Tracionado até aqui por Naná que às 23h48 não tinha nada melhor pra fazer...
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