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Três títulos...
Retrospectiva 2005 ou Blog ou diário? ou Feliz Capital do Rio Grande do Norte!
Parlarne adesso non há più senso, ... o forse sì perchè uma vita sola non può bastare per dimenticare come si può amare quanto sole che ci può attraversare senza farci male perchè uma vita sola non può bastare per dimenticare ogni particolare dei tuoi occhi che mi stanno a guardare, non dimenticare una storia che valeeeeeee
Laura Pausini, (Uma storia che vale)
Começando pelo meio...
Um grande amigo meu, o Andy (www.andy.blogger.com.br), abriu seu enésimo blog (o atual) com a intenção de fazer dele um diário. Quando eu abri o meu primeiro, em 2002, minha intenção era a de fazer um blog (dããã), já que eu tenho meu diário em papel há alguns anos. Não colocava tudo lá, não confidenciava muitas coisas e tinha mais um clima de diálogo do que o meu caderno guardado-a-sete-chaves (que ninguém até agora sabia que existia), onde eu fazia o mergulho em mim mesmo que eu sempre precisei pra tentar me entender. No blog eu fazia a linha “social” e havia algumas pessoas que sempre comentavam. No caderno eu era extremamente introspectivo, escrevia às vezes algumas coisas cifradas, pra que só eu pudesse entender. Enfim. Caderno não é blog e, por tabela, blog não é caderno, pelo menos no meu caso. Então, assim sendo, este vai ser um blog deste ponto em diante.
2005, o melhor ano dos últimos 12 meses
Como ninguém aqui sabe de nada de mim antes da semana passada, vou falar um pouco (UM POUCO SÓ, prometo). Na última virada de ano eu era um infeliz auxiliar de almoxarifado enterrado no subsolo de um hospital em Diadema, na Grande São Paulo, quando, em 27 de dezembro, recebo um telefonema da minha mãe: “Filho, você prestou algum concurso pra CPTM??”. Sim, eu tinha prestado, mas três anos e meio antes, eu já até tinha esquecido da existência desse concurso pendente. E eles estavam me chamando, pra ser agente de estação (ou o nome correto do meu cargo, Agente Operacional I), pra ganhar 50% a mais de salário, ter um montão de benefícios e, virtualmente, dependendo da estação e do horário aonde eu fosse trabalhar, não fazer QUASE NADA. Não pensei duas vezes e mergulhei de cabeça. Não me arrependo: hoje tenho este emprego, uma casa (alugada, da CPTM, claro) mobiliada (comprado tudo a prazo, evidentemente, e com as prestações correndo ainda) e do resto a gente corre atrás. Há uns anos eu fiz 5 semestres da faculdade de Letras e abandonei (estou fazendo vestibular de novo pra ver se eu reingresso) e antes de entrar no meio público eu trabalhava como professor de idiomas. Continuo trabalhando hoje em dia, embora dando muito menos aulas do que antes. De novidade no meu ano, só tive essa: entrei em um emprego onde posso dizer que faço o que gosto, enfim. O ano de 2004 foi terrível pra mim e tudo o que eu esperava era que 2005 fosse melhor. E foi.
¡Feliz Navidad!
Nunca tive o costume de comemorar o Natal, mas mesmo assim, já que até os japoneses budistas, xintoístas e etc. e tal fazem suas arrumaçõezinhas pro Natal, cá estou eu fazendo meus votos de Felices Pascuas e que todos nós estejamos minimamente preparado pras surpresas que 2006 vai nos trazer. As boas e as ruins.
Viu, eu disse que ia ser curto!
Tracionado até aqui por Naná que às 23h44 não tinha nada melhor pra fazer...
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Too lonely
Y ahora se pone a llover vuelvo a mi cama de siempre pero sigo estando tan solo, tan solo... ¿dónde me voy a coger?
... e eu continuo estando tão sozinho... onde vou parar? Ou, corrigindo, estou ficando cada vez mais sozinho...
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Desde criança eu fui uma pessoa solitária. Aprendi a ler e a rascunhar a escrita antes dos 4 anos. A idéia de estar um nível acima me agradava muito, mas eu não sabia lidar com o fato. Gostava de me gabar; os outros não gostavam daquele moleque convencido. Juntando dois mais dois, o resultado: fiquei isolado durante toda a minha infância, em parte por opção e em parte por falta de. Abri mão de praticar esportes mais pelo fato de não saber me sociabilizar do que por preguiça de criança. A cada ciclo que eu começava na escola eu me destacava logo nos primeiros dias pelo tanto que eu demonstrava saber (na verdade demonstro saber mais do que realmente sei), tanto esse que nem sempre se traduziam em notas. Os colegas de classe poderiam querer se aproximar do carinha “inteligente”, “CDF”, mas ao invés disso mantinham distância do mané esquisito e antissocial que eu era. Eu mesmo fazia por onde se afastarem de mim; na 4a. série um único colega se atrevia a perder algum tempo comigo, o Kleber, talvez por ser mais tímido e arredio que eu, além de algo masoquista. Minha principal diversão esse ano era hostilizar o coitado. Chega de retrospectiva desse tempo difícil. Resumindo, tive uma infância e uma adolescência solitárias. Gostava de que as pessoas se interessassem pela minha companhia, pra ter o prazer de escorraçá-las. Em sozinho, sofria pela forma como eu tratava as pessoas. Não que eu seja muito diferente agora. Acho que a diferença está no auto-controle, que a gente só consegue depois de uma certa idade.
Saí da casa da minha mãe porque a ocasião foi favorável. Eu não tinha nenhum motivo forte pra sair de lá; se fosse em 1999 ou 2000, sim, eu teria. Nos primeiros dias, como acontece com todos, maldisse a hora em que eu fui abandonar o conforto de ter alguém pra cozinhar e lavar roupa pra mim. Maldisse a casa cheia de mosquitos, a descarga quebrada, a rua de terra, os muros muito baixos, o jardim cheio de ervas, o barulho do trem, sentindo saudades da casa da minha mãe, onde não havia nada disso. Felizmente, o homem é um animal de costumes e eu tenho uma capacidade até boa de adaptação. E uma vez adaptado a uma situação, mudar é um suplício pra mim. Aprendi a me virar sozinho; quando me bate aquela vontade de gritar socorro pra mamãe, engulo em seco e me viro como posso.
Volta e meia (muito mais freqüentemente do que eu gostaria de admitir) sinto a falta de alguém comigo, um cobertor de orelha, diga-se. Quando paro pra analisar a idéia mais seriamente, porém, penso se eu realmente estaria disposto a abrir mão da paz de estar sozinho pra incluir outra pessoa no meu dia-a-dia. A convivência comigo é complicada, não sou fácil de agradar e não faço muito esforço pra ser mais tratável. Desde que descobri gostar de homens, imaginava que meu único fim possível era estar sozinho e ao longo desse tempo todo fui-me preparando pra isso, assim como durante toda minha vida peguei o costume de andar dentro de casa sem acender uma única lâmpada pra me preparar pra eventualidade de ficar cego. Hoje em dia consigo viver sozinho, mas o caráter se me azedou de tal maneira que ninguém em são juízo toparia dividir um colchão comigo. Às vezes visito minha família, que mora perto o suficiente pra anular as desculpas mais prováveis de que eu poderia lançar mão pra não ir visitá-los. Há apenas dois meses, completos hoje, saí de lá, mas é como se eu tivesse morado no exterior durante anos, pois não me vejo mais como participante daquela casa. Minhas visitas têm um tom protocolar, de obrigação, de vontade de estar em outro lugar qualquer. Quando me seguram muito lá, invento um pretexto qualquer e fujo, quando já não chego lá com o pretexto pronto, me esperando do lado de fora.
Em suma, mais do que estar sozinho, estou chegando ao passo do “ser sozinho”.
Todo mundo morre sozinho; deve ser por isso que a gente tem essa necessidade louca de estar acompanhado” Rachel de Queiroz.
Tracionado até aqui por Naná que às 22h44 não tinha nada melhor pra fazer...
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Despropositado e sem sentido.
¿Por qué es tan cruel el amor que no me deja olvidar, que me prohíbe pensar, que me ata y desata y luego de a poco me mata, me bota y levanta y me vuelve a tirar?
¿Por qué es tan cruel el amor que no me deja olvidar? ¿Por qué aunque tú ya no estés se mete en mi sangre y se va de rincón en rincón, arañándome el alma y rasgando el corazón? ¿Por qué es tan cruel el amor?
Agora são 10h46 e essa (Ricardo Arjona, Por qué es tan cruel el amor) era a música que eu estava escutando antes de dormir, esta madrugada. O fato de eu tê-la colocado aqui foi totalmente despropositado.
Hoje sonhei com várias coisas sem sentido, no mesmo sonho. Sonhei que eu havia feito parte, como padrinho, do casamento de uma das professoras da escola onde dou aulas de espanhol, mas que no álbum eu tinha muito mais destaque que os noivos e estava muito mais bem produzido que eles. Em seguida, no mesmo sonho, a escola me admitiu como professor permanente, por absoluta falta de opção – eles estavam sem professores permanentes no quadro deles – e que o responsável por ela era justamente o chefe da estação onde eu trabalho. Aceitei o cargo recusando, ou seja, fiquei em cima do muro, pensando de onde eu tiraria tempo pra fazer a faculdade. Com isso na cabeça, fui subindo uma rua em Itaquera, bairro onde nasci e me criei, próxima à estação Dom Bosco. Fui subindo e subindo até ver que eu estava perdido (coisa impossível pra mim em Itaquera). Como eu não tinha mais remédio além de ir andando (por que eu não voltei até o ponto onde eu conhecia o caminho?) fui seguindo e me deparei com uma parte de Itaquera onde eu nunca estive, onde as ruas têm dois nomes nas placas, um que parecia ser oficial e outro, totalmente diferente, entre parênteses, na mesma placa. Mais adiante encontrei andando um médico que parecia estar mais perdido que eu e me pediu para lhe indicar um caminho. Fomos andando e conversando e fui percebendo que ele era extremamente homofóbico. Ele tinha um consultório na Avenida Paulista e contava, todo orgulhoso, que hostilizava gays sempre que podia. Como se pode reconhecer um gay escondido dentro de todo homofóbico, fiquei olhando atravessado pra ele, até que me cansei da conversa, apertei meu passo e deixei-o falando sozinho. E então os mosquitos me acordaram.
Será que alguém vê algum sentido em tudo isso?
Encontrei o D. na internet ontem. Eu tinha ligado pra ele durante o dia, mas não pude falar muito, já que estava na estação e de repente juntou um monte de gente pra comprar bilhete. No MSN, de repente, o assunto entre a gente se esgotou e ficou aquele vazio. Qual o sentido disso?
Tracionado até aqui por Naná que às 11h13 não tinha nada melhor pra fazer...
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Feliz. Vivo e feliz.
Vivo sin ningún problema aunque cada instante muere sin valer la pena vivo porque sobrevivo porque, aunque no quiera, tengo que cargar conmigo vivo, aunque le tengo miedo a vivir muriendo o a morir en vida... (Ricardo Arjona, Vivir sin ti es posible)
Estou feliz porque estou vivo. Estou vivo porque estou feliz.
Qualquer evento que me tire da letargia sentimental em que eu me encontro já há mais de dois anos me traz à tona o fato de que eu sou um ser vivente. Esses eventos, por mais que às vezes possam degenerar em experiências vazias, são bem-vindos. E quase sempre acontecem por acaso, como no caso.
Não me lembro ao certo como conheci o D. Deve ter sido em alguma das salas de bate-papo da vida. O que sei é que durante uns dias conversamos pelo MSN sobre qualquer coisa, uma troca de idéias bem despropositada. Impelido pelo meu sempiterno impulso, convidei-o para uma sessão de cinema no domingo, que foi dia de folga. Ele topou – mesmo sendo essa sessão em Suzano, perto da minha casa, mas longe demais da dele.
Ao vivo ele é bem mais bonito do que em foto, pensei quando o vi pessoalmente, esperando do fundo do coração que ele tivesse pensado o mesmo. No cinema (King Kong), num “descuido” a mão dele escorrega pra perto da minha – ou foi a minha mão pra perto da dele? Não importa – e passamos o resto do filme assim, trocando carinhos entre as mãos, sinal de que “o santo bateu”. Acabada a sessão, fomos assistir a outro filme (Harry Potter e o Cálice de Fogo). Pensei ironicamente “que pena” quando vi que entre as cadeiras não havia braços – pudemos assistir ao filme quase todo o tempo abraçados. Na volta, cooper debaixo de chuva para não perder o trem. Devido à hora avançada, ele teve que dormir aqui em casa.
Passei uma folga muito boa com ele entre ontem e hoje. Muito carinhoso, como há tempos eu não conhecia ninguém. De bom humor, como eu estava precisando esses tempos. Algo que me fez relembrar como é a convivência de um par de namorados, que trouxe um pouco de cor para uma semana cinzenta, que me deu o que pensar para a semana em curso. Foi, enfim, um par de dias em que eu vivi – em que fiz coisas que faço normalmente, como comer, lavar roupa, comprar pãozinho, mas com a alegria adicional de me dar conta de que não, não sou de pedra, como na maior parte do tempo chego a pensar.
Alguém me disse na época da faculdade que os “bons momentos” têm algo bom (que são bons) e algo ruim (que são só momentos). Vivi um bom momento a que espero que se sigam outros. Mas, infelizmente, isso não depende só de mim.
Tracionado até aqui por Naná que às 23h17 não tinha nada melhor pra fazer...
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