Calmon Viana - O fim da linha


De volta. Talvez.

Boa tarde.

Estou no meu novo servico fazendo simplesmente um teste, pra ver se é possivel acessar meu blog daqui do computador da empresa. Porque orkut, nada feito.

Desisti de por acentos nas mensagens, uma vez que a 'criptografia' dessa maravilha de uol blog sempre esta contra mim.

Assim, poderei postar novidades. E como eu nao tenho mais acesso a MSN nem a Orkut, peco encarecidamente que me mandem e-mails. Me mudei pro Capao Redondo e não instalei telefone ainda por falta de $$. Por isso estou sem internet em casa.

Falouz!!!



Tracionado até aqui por Naná que às 15h15 não tinha nada melhor pra fazer...
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Voltar é uma ilusão: estamos sempre indo.

Vou procurar resumir muita coisa, muito embora sabendo que não vou conseguir.

Não sou uma pessoa comum, como meus íntimos sabem. Apesar de eu me achar um mero ponto no meio da multidão, as outras pessoas vêem em mim algo brilhando que atrai dois tipos de sentimento, a admiração e a inveja.

Por um lado, nunca soube lidar com a admiração alheia porque no meu íntimo eu sei (e algumas pessoas mais atentas observaram) que meu grande potencial intelectual raríssimas vezes se traduziu em resultados a meu favor – ou a favor de quem quer que fosse. Todo mundo achava uma maravilha que eu tenha a memória tão boa, que eu tenha capacidade tão grande de aprendizado, enquanto eu me perguntava qual a serventia que aquilo podia ter, uma vez que eu nunca conseguia tirar proveito disso. Não sou nada mais que um talento bruto, muito duro pra ser lapidado. E sem lapidação não tem utilidade nenhuma.

Mudei de cargo na Ferrovia e comecei hoje no prédio da Sede. Trabalho como Técnico de Suporte na área de Marketing. Ao chegar hoje, pontualmente às 8h, só havia duas pessoas no setor – que me falaram ‘senta aí, o povo já vai chegando pra te ensinar o serviço’. Fiquei tempos à toa até chegarem todos e fazerem uma micro-integração comigo, onde eu fiz o possível pra não aflorar meu lado anti-social. Procuraram me ambientar no setor, me deram um login, um computador, um telefone, mas não me deram o principal pra mim: atribuições. Tarefas. Deveres. Só pude deduzir duas coisas: que todos lá são hierarquicamente superiores a mim e que eu devo estar pronto pra fazer de tudo. Enfim.

A primeira impressão é a que fica. A minha foi todo o conforto envolvido naquele setor, tão diferente de Ferraz, onde eu trabalhei a maior parte do meu tempo de Ferrovia até agora. Me senti muito inferior àquilo tudo. Desorientado, não ambientado. Morro de medo de abrir a boca e falar merda. Sempre fui mais organizado que criativo, falei isso na dinâmica de grupo, no processo seletivo, e me enfiaram numa área onde a regra é ser criativo. Não sei se criatividade é um dom inato ou se é adquirido. Tomara que seja algo que se possa conquistar à ponta de disciplina. Virtude, aliás, escassa em mim.

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Vou abandonar a USP. Tou tentando ver se pelo menos consigo trancamento fora de prazo.

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Aliás, do que adianta passar duas vezes no vestibular da USP, o mais cobiçado do País, e não ter disciplina pra levar o curso em frente?

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Estou pensando em prestar vestibular de novo, mas pra outro curso, com algo mais de futuro, como Administração ou Ciências Contábeis. Meu problema é a falta de disciplina e o excesso de confiança na capacidade de improviso.

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Uma coisa disso tudo foi bom: sair da Barra Funda. Bem, antes eu já tinha conseguido. No dia em que fui fazer a dinâmica de grupo, o chefe da Barra Funda disse que eu podia fazer a tal troca, mesmo com a perspectiva de mudar de cargo em 12 dias. E assim foi que eu trabalhei 12 dias na estação Jaguaré, inclusive no meu aniversário, em 21 de abril. No feriado, fiquei contando as moscas que passavam por lá, bem diferente da Barra Funda. Até mesmo na maneira como as pessoas lá me trataram. Se não fosse a mudança de cargo, JAMAIS eu ia querer sair de lá.

+++

Tou sem saco.

Tracionado até aqui por Naná que às 23h30 não tinha nada melhor pra fazer...
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De mudança. Odeio isso.

(...) I'm just gonna get out of this prison cell
Someday I'm gonna be freeeeee oooowwwww (...)


(Queen, Somebody to love)

Pior do que viver em uma prisão é viver em duas.

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A Barra está FODA!

Agora posso falar bem sobre como têm sido minhas últimas experiências nesse lugar-dos-inferno.

A primeira impressão é realmente a que fica, nesse caso: dificilmente eu trabalharia mais e mais pesado em outro lugar na minha vida. A segunda também ficou: como diria o profeta bíblico Jeremias, enganoso é o coração, mais que todas as coisas, e perverso: quem o conhecerá? Contando desde o começo, pra contextualizar:

- Logo no primeiro dia, me mandaram pra bilheteria mais movimentada do sistema de trens do Brasil. No fim do dia, no fechamento de caixa, tinha um real a menos - até que não fiz feio. O problema é que o fiscal tinha feito lançamentos errados que davam uma diferença de mais de mil reais e não encontrava o erro. Beleza, todo mundo erra; fui tirar meu uniforme enquanto ele procurava o erro. Me troquei e ele não encontrou. Fui eu a procurar o bendito erro e encontrei. Parece que não caiu bem essa atitude. O tal fiscal me odeia até hoje.

- Me apresentaram depois para o encarregado da estação. Pra uma pessoa como eu, que estava acostumado a conversar papo de boteco com o encarregado em Ferraz de Vasconcelos, ter um encarregado que só dirige a palavra quando você está a ponto de fazer merda não é muito bom.

- O tal fiscal apronta uma série de arapucas pra me pegar em passo-em-falso. Um dia ele conseguiu.

- Dia 12 de março, atravessei a cidade com sono pra fazer uma prova de concurso interno da empresa, pra subir de cargo. Eram 500 pessoas pra 3 vagas. Português e matemática. Até que fui bem, pensei ao conferir que tinha acertado toda a prova de português e errado só 30% da prova de matemática. Fui no mesmo dia encarar a Barra.

- O tal fiscal e o encarregado aparecem um dia de surpresa na minha bilheteria e vasculham ela todinha pra, supostamente, me pegar 'em flagrante roubando troco dos usuários'. Fecharam meu caixa e conferiram tudo, nota por nota, moeda por moeda. O fiscal com a calculadora do lado, com uma visível expressão dizendo 'quero ver sangue'. Procedimento ilegal: ELES contaram meu dinheiro. EU é que deveria ter organizado tudo. Resultado: R$ 0,20 a mais. A decepção estampada na cara do fiscal sanguinário. A expressão de 'na próxima eu te pego' na cara do encarregado. E eles saem da bilheteria do mesmo modo como entraram: sem dar nenhuma explicação.

- No outro dia, TODA a estação fica sabendo. Era o que me faltava, alguns colegas de trabalho que adoram fofoca.

- Saiu o resultado do tal concurso: fiquei em terceiro lugar geral. Classificado para a próxima fase, a tão temida avaliação de perfil - sua virtual futura chefia avalia se você tem perfil pro cargo pretendido. Qual o tipo de funcionário que eles procuram? Não sei. Só eles sabem.

- A Barra está ficando cada vez mais foda.

- No auge da pressão, consigo uma menina de outra estação que está disposta a permutar comigo, para eu sair de lá. Em questão de dois dias preparei todos os papéis para mudar imediatamente. Meu chefe, aliás, assinou o papel sem nem ler, sabendo que era um papel para a minha transferência. Quando tudo estava certo, 'lembraram' que eu estou com data marcada pra fazer perfil pra mudar de cargo e sair da área de estações. Suspenderam a troca até saber se vou ou não ser aprovado. Ou seja, encaro a barra pesada por mais uma semana.

- Depois da vasculhança na minha bilheteria, TODOS os dias falta dinheiro. E não é pouco: no mínimo 10 reais.

- Conto nos dedos os dias que faltam para cada folga.

FIM.

Resumo: Em Ferraz de Vasconcelos eu era feliz e sabia. Não sabia era que eu ia ser tão infeliz na Barra Funda.

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USP - Universitário Sem Propósito

Tenho quatro matérias apenas, felizmente. Em três delas a classe é mais ou menos a mesma. Menos mal. E em três delas tem um menino muito fofinho junto comigo na classe. Se bem que eu me lembrava dele mais pela camiseta amarela que ele sempre usa do que pela beleza dele. Acho que foi a única coisa boa que aconteceu desde que eu entrei na USP.

Aulas todos os dias. Leituras novas todos os dias. Isso conjugado com Barra Funda todos os dias não dá nada de bom. Não tenho tempo pra ler nenhum texto, mal-e-mal fazer os trabalhos. Some-se o fato de eu morar a 60 km da USP. Estou o pó.

ODEIO a USP. ODEIO a Barra Funda.

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Já ouviram falar em Capão Redondo? Hoje fui com meus pais e meu irmão menor ver uma casa pra alugar por lá. Em breve vou sair de Calmon Viana e deixar definitivamente pra trás um pedaço muito feliz da minha vida, as lembranças do percurso Ferraz X Calmon. Quem sabe eu não mude o nome do blog para "Capão Redondo - o fim da linha".

Cabou-se meu saco.

Abraços pra quem é de abraços. Quem não é de abraços eu mando solenemente pra Barra Funda.


Tracionado até aqui por Naná que às 23h48 não tinha nada melhor pra fazer...
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... afinal, demora mas eu volto.

Bom, meu saco para blogs acabou, mas faço um esforcinho pra continuar escrevendo. No mínimo, respondendo às perguntas que eu deixei no último post.

Cesteiro que faz um cesto faz um cento

Enfim, voltei pra USP, tal como um cheque sem fundos. Só tenho quatro dias de aula por semana com a sexta livre, mas ainda assim eu consigo matar um dia de aula por semana, além de sair cedo todas as últimas-aulas pra poder chegar na Barra Funda antes das 13h e não pagar atraso no serviço.
Graças a Deus, não tenho aula com nenhum dos professores que me reprovaram quando fiz Letras a primeira vez - isso significa um estímulo a mais pra continuar o curso, prestar bastante atenção nas aulas desde o começo pra não perder os detalhezinhos que eu deixei passar e que custaram minha reprovação. Pelo menos análise de poesia está deixando de ser um bicho de setenta cabeças para mim, que odeio poesia.
Mas me sinto bem em uma coisa - sou o calouro que mais se dá bem na Letras, o único que obedeceu o prazo para tirar carteirinha de passe - tirei logo quando fiz a matrícula e já recebi a minha, o resto do povo nem sabia como fazer e está esperando até hoje.
Enfim, poucas pessoas têm ou tiveram a oportunidade de apertar o botão reset em algum aspecto da vida. Estou tendo essa chance de ouro agora e não vou desperdiçar.

Barra Foda é Funda!!

Saí de uma estaçãozinha de interior, Ferraz de Vasconcelos, pra trabalhar na maior estação intermodal do Brasil, como eu tinha dito no post anterior. É uma puta viagem, é muito serviço quando chego lá e, como as pessoas não me conhecem ainda (e, principalmente, não sabem se podem ou não confiar em mim), estou totalmente desenturmado, jogado para escanteio. E como eu não sou lá a pessoa mais sociável do mundo, a tendência é ficar um bom tempo nessa. Pelo menos lá se esquece da vida - por exemplo, um dia que choveu. Todo mundo sabe que São Paulo, a cidade que não pode parar, pára em dia de chuva. Não foi diferente na Barra Funda. O metrô parou de funcionar e todo mundo tava indo pegar o trem. Como as plataformas estavam ficando cheias demais, resolveram restringir o embarque. De que jeito: fechando duas das três bilheterias e deixando aberta somente a que estava a meu cargo - resultado, a fila deu voltas no terminal rodoviário e eu me divertindo pra caramba. Acredita que até de viado me chamaram? heheheheh.

Uma companhia...

Estou há quatro anos sem um relacionamento sério. Em fevereiro conheci um cara que parecia meu reflexo no espelho, só que mais branco: sério, conservador, meio CDF. Amante de ferrovias e muito carinhoso. Parece o sapato perfeito para meu pé machucado. A questão é: EU estou a fim? A gente se encontrou durante todas essas semanas e chegamos a ensaiar um namoro. Mas paulatinamente estamos deixando de ter contato e não sei se eu tenho a vontade de retomar as coisas do jeito que eram. Será que meu coração necrosou?

Será??

Aguardem nos próximos capítulos.

PS: Obrigado das visitas. Inclusive da visita do Andy ao meu local de serviço, a Barra Funda. Adorei revê-lo. Um dia ainda vou casar com ele, nem que seja nas próximas vidas, se elas existirem.

Tracionado até aqui por Naná que às 00h46 não tinha nada melhor pra fazer...
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São muitas coisas mudando na minha vida. Muitas. Se eu fosse esperar acabar de vir mudanças pra poder postar de novo, talvez eu nunca mais escrevesse. Vou esperar só eu conseguir digerir algumas coisas pelas quais eu tou passando.

- Será que eu vou começar a faculdade empolgado?
- Será que trabalhar na Barra Funda vai dar certo?
- Será que eu encontrei enfim alguém que caiba no meu sapato?
- Será?

A seguir, cenas dos próximos capítulos. Aguardem.

Tracionado até aqui por Naná que às 23h33 não tinha nada melhor pra fazer...
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(Quase) tudo voltando. (Quase) tudo agora.

It’s all coming back, it’s all coming back to me now
there were moments of gold and there were flashes of light
there were things I’d never do again,
but then they always seemed right
there were nights of endless pleasure,
it was more than any laws allow...

If I kiss you like this,
and if you whisper like that,
it was lost long ago, but it’s all coming back to me
if you want me like this,
and if you need me like that,
it was dead long ago, but it’s all coming back to me
it’s so hard to resist, and it’s all coming back to me
I can barely recall, but it’s all coming back to me now


Céline Dion, It’s all coming back to me now

Música para reflexão permanente...

Essa música pra mim sempre foi um poço de reflexões... ou um saco de minhocas, segundo alguns. Na verdade, as únicas pessoas que poderiam saber da importância que essa música teve (ou tem) pra mim são: a pessoa que me dedicou essa música (junto com a qual eu a ouvi a primeira vez) e, posteriormente, a pessoa a quem eu a dediquei (que redescobriu essa música graças a mim).

Apesar dos quase cinco anos passados, apesar de todas as voltas do destino, apesar de todas as provas que tive da incompatibilidade de interesses, apesar do desprezo, da sanha aproveitadora (de ambas as partes) e de muitos “despite of” que ainda há no caminho, essa música ainda me remete ao David. Rapidamente situando o leitor, David foi meu primeiro namorado, o cara com quem eu fiquei mais tempo junto e o cara de quem eu mais gostei, e por mais tempo. O único cara que me fez usar aliança. O único que chegou a me dar vontade de me tatuar. Enfim, ele foi único. Talvez por ter tido tal peso, não consigo até hoje excluir a lembrança dele por completo, por mais que o sentimento já tenha ido pro saco há décadas. Ele foi o que eu tive de mais real.

Bom, um dos finais de semana em que eu ia visitá-lo, ouço essa música no computador dele depois do banho. Gostei do toque da música, da voz da cantora, da batida, de tudo o que alguém que não sabe nada de inglês poderia gostar. Toda vez que eu ia na casa dele, eu pedia pra pôr essa música. Quando completamos seis meses de namoro, ele gravou um K7 com as músicas que (ele achava que) eu mais gostava e entre elas estava essa. Comprei um walkman só pra ouvir a fita em todos lugares... que coisa...

Mas foi só depois de a gente terminar que eu fui prestar atenção na letra da música. “Está tudo voltando”. Fala de uma pessoa que cansou de apanhar na relação e decidiu bater a porta na cara do outro e apagar da vida todos os traços desse outro. Mas vem a lembrança, por mais que essa pessoa queira evitar, e tudo volta, os beijos, os suspiros, os abraços, a carne e as fantasias. Mais do que qualquer lei permitiria.

O David não tem mais lugar na minha vida real. Eu não tenho mais lugar na vida dele. Mas lembrança é lembrança. Principalmente as lembranças boas, que foram muitas. E foram as que ficaram.

I just have to admit that it’s all coming back to me...

E hoje, dia 8, eu acordo às 8h da madrugada com a Yazmín, minha grande amiga, colega de enseñanza de español na Skill, me dando a notícia de que eu PASSEI no vestibular da Fuvest. Vou voltar ao curso de Letras que eu abandonei em 2002. Eu fiz as provas do vestibular crente, crente da reprovação inevitável... que foi evitada. Resolvi fazer vestibular por pressão da minha mãe e, agora, com a aprovação surpreendente, começo a gostar da idéia de estudar de novo, depois de 3 anos parado.

Melhor do que fazer vestibular pra USP e passar é fazer o vestibular pra USP duas vezes (a primeira com 17 anos e agora com 25), as duas vezes sem pegar num livro, sem fazer cursinho, tendo estudado em escola pública a vida inteira e, no caso da última vez, estando há oito anos longe das salas do 2o. grau. E, também no caso da última tentativa, ter melhorado 209 posições no ranking da carreira de Letras. Aos 17 anos, com o aprendizado do Colegial bem vivo na cabeça na hora do vestibular, fui o 384o e agora fui o 175o.

Só pra associar esse evento da minha vida com a música, tudo vai voltar de novo. The flesh and the fantasies. O bom da USP e o ruim da USP. Os momentos de ouro e os flashes de luz, as coisas que eu jamais faria de novo e que de repente parecem certas. Deus queira que voltem também the nights of endless pleasure... Quando saí da USP (pela janela, claro), tirei minhas sandálias e bati no parapeito da janela, dizendo que ‘desse lugar não quero nem o pó’, à la Carlota Joaquina. Cumprindo a maldição bíblica, ‘tu és pó e ao pó voltarás’. Cá estou eu.

O que volta. E o que vai.

Nem só de déjà vu eu vou viver nessa etapa ‘nova’. Em conseqüência da minha nova condição de universitário, minha vida vai virar de cabeça. Acabaram-se os dias de vida mansa, acordando às 12h, demorando parcos 9 minutos entre casa e trabalho. Hoje mesmo já mexi os pauzinhos para trabalhar em uma estação mais próxima da USP e, aparentemente, conseguirei ir trabalhar na Barra Funda, a maior estação metropolitana da América, salvo engano (Metrô, quatro linhas de trem, dois terminais urbanos e uma rodoviária, além do museu do Memorial da América Latina). Enfim, sair de uma estação de cidadezinha praticamente de interior (Ferraz de Vasconcelos) para o mundo civilizado. E como a distância do trabalho pra casa vai passar de 3 para 40 km, vou tratar de mudar de casa também. E mudando de casa, vou mudar várias coisas que eu jamais pensei que fosse mudar um dia.

Mas o que eu mais estou gostando da idéia de voltar a ser universitário não são as novidades, e sim as retomadas. Pelo menos a retomada de um ambiente social de gente com mais afinidade comigo. Trabalhar em estação de trem, pelo menos na estação Ferraz, tem esses tipos de problema. As pessoas são legais, mas não tem ninguém da minha idade nem pessoas com as quais eu possa trocar idéias do tipo sentimental, por exemplo (se eu comento meio alto ‘que cara gostoso aquele’, me olham muito estranho, como se homoafetividade não existisse). Vai ser bom voltar ao mundo.

And it’s all coming back to me now. Afortunately.

Tracionado até aqui por Naná que às 01h32 não tinha nada melhor pra fazer...
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Tacones lejanos

... traduzindo do espanhol (uma tradução bem livre), "Salto distante".

Dame tus sueños para hacerte una diadema
dame el pasado para no quitarte el tiempo
que lo que te está sobrando a mí me salva la vida...

Dame tu llanto para llorarlo contigo
dame el misterio de tus ojos cuando duermes
dame el aire cuando exhalas, para ver si te respiro...

Quítate un beso, póntelo donde prefieras,
dame un pretexto para reestrenar mi vida
dame lo que quieras darme, quítame lo que tú quierassssss


(Ricardo Arjona, Dame)

Uma semana sem atualizar. Terá acontecido muita coisa de interessante? Resposta: SIIIMMM

... pelo menos pra mim.

"VocêJáViuÔnibusDeSalto?"

Caso não, aí vai uma foto:



Et voilà o ônibus de Salto! Isso porque vocês não viram a “SantaDeSalto”. Acho que eu já comentei sobre ela em outro post...
Ou vocês imaginaram um ônibus que andasse pelo asfalto fazendo “poc-poc-poc” e dando show em boates por aí?

É, comecei do final.
Esta é uma das imagens da minha visita a Indaiatuba neste fim de semana. Retribuí a visita que o meu grande amigo Eduardo e seu namorado Gustavo me fizeram em São Paulo há umas semanas.

Passei a semana toda juntando moedas e trocando folga para tornar este fim-de-semana possível. Saí do serviço na sexta-feira às 22h30 direto pra Rodoviária do Tietê pra pegar o último ônibus com destino a Campinas. Cheguei lá só o pó da rabiola. Foi nem tempo de cair no colchão e dormir.
Ao acordar, ouço um murmúrio de vozes falando espanhol alegremente na cozinha da casa do Gustavo – era a sua família hispano-paraguaia. Paraguaios de verdade, não são contrabando (risos). Muito legais, eles. Muita ocasião de tirar as teias de aranha do meu espanhol desusado. Pena que da família inteira eu só tirei foto da Preta.



No sábado, fomos conhecer a mágica e misteriosa Estância Turística de Salto, uma cidadezinha cortada pelo rio Tietê onde, se não o salto propriamente dito, pelo menos a poluição do rio é “de Itu”.

Conheci, enfim, a tal “santa de salto”. Só que a tal santa de Salto estava descalça!!!!! pena que de longe não dá pra ver, mas tirei uma foto do dedão do pé da santa pra provar que a tal não usa salto coisa nenhuma.



Ainda pedi pra tirarem uma foto minha com o Tietê ao fundo, de longe, sem saber que eu o veria bem de perto.



Obs. 1) não estranhe os olhinhos fechados. A vida na ferrovia mata qualquer um. Aliás, a tia (paraguaia) do Gustavo começou a despotricar (falar mal) contra os coreanos da fronteira, virou-se pra mim na mesa e comentou “tienes cara de coreano, ¿lo eres?

Obs. 2) quem está mais feio na foto? Eu ou o rio?...
EU? Você ainda não viu o RIO...

De lá rumamos para uma usina hidrelétrica tri-antiga, na beira do Tietê. Lá pude ver o estrago que a poluição aqui em cima faz no rio lá embaixo.



Este sou eu, com meu sorriso carimbado, e o rio-de-café-com-leite ao fundo. O fedor é insuportável pra alguém com olfato, o que, felizmente, não é o meu caso.



No meio da espuma do rio, uma garça sobrevive. Como? E eu sei?



A “ponte-do-rio-que-cai”, que dá acesso à beira do rio. MEEEEEEEEDO ao cubo de atravessar essa ponte, que balança mais que peito de gorda no trem pra Calmon.

De lá fomos para a Estância Turística de Itu, a famosa cidade das coisa-grande. Aqui em São Paulo, pelo menos, essa é a fama que Itu tem: quando se diz que alguma coisa é “de Itu”, se quer dizer que é gigante. Nas lojas de lembrança se vende um tal “melhoral de Itu” do tamanho de um pires.

O Gustavo e o Eduardo quiseram ligar pra Indaiatuba, mas não conseguiram alcançar o fone do orelhão de lá.



Ah, descobrimos num barzinho um orelhão numa altura menor. Só que não tínhamos cartão que coubesse nele...



Depois fomos ao teatro em Campinas assistir a uma adaptação do livro O 3o travesseiro, uma espécie de “best seller gay”. Pena que era proibido fotografar o espetáculo, assim sendo fotografei meus amigos... heheheheh



A peça estava muito boa, apesar de que eu achei melhor o livro, claro. E recomendo que vocês leiam o livro. Autor, Nelson Luiz de Carvalho. Na época em que eu li, a editora era a Mandarim. Tem até comunidade no orkut.

Na saída, já tarde da noite, fomos ao apartamento do Eduardo a conhecer seus “filhos” – o Otoo e o Hamtaro. Não me pergunte quem é quem, só sei que o Hamtaro sobe no ombro do Eduardo e o Otoo morde.



No domingo fomos à chácara da família do Danilo, amigo do Gustavo. Não tirei foto dele... que lapso! Ele é muito legal, apesar de parecer muito reservado, e tem uma sobrinha LINDA, a Maria Fernanda.
Pena que choveu o domingo inteiro. E pena que eu deixei minha porção muquirana aflorar ao descobrir que tem uma linha de ônibus entre Indaiatuba e Jundiaí cuja tarifa é R$ 3,00 (a linha Indaiatuba-São Paulo direto é R$ 17,00 e em Jundiaí eu poderia pegar o trem de graça até minha casa). Como o ônibus saía às 17h de Indaiatuba, tive que abrir mão do resto do domingo. Poupando os detalhes, saindo às 17h de Indaiá, cheguei às 22h30 em casa. As roupas que eu tinha deixado no varal secando já estavam secas... e todas cagadas de pombo! Nunca mais deixo a roupa mais de um dia no varal.

Este foi meu fim de semana. Novidades, agora, acho que só dia 8, quando sai o resultado da fuDest. Não agüento mais o povo me perguntando “e aí, passou no vestibular?”.
Falando em vestibular, quero felicitar a Dani (do blog dos dedo-preto, Dactilusnigrus, que foi aprovada no vestibular para Moda na UEL – Universidade Estadual de Londrina – PR. Eeeeeeeeeee!!

É isso ae, povo. Tenho que lavar de novo a roupa toda cagada de pombo.
Abraços pra quem é de abraços. Quem não é de abraços ganha uma banana!

P.S.: Alguém me ensina qual o comando pra colocar LINK aqui? Cansei!

Tracionado até aqui por Naná que às 01h36 não tinha nada melhor pra fazer...
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Tiritas pa’ este corazón partíoooo...

No quiero dejarlo todo al azar,
entiendo que he comenzado a estorbar,
pronto estaré de ti muy, muy lejos...

Ahí me voy outra vez... ay, te dejo, Madrid,
tus rutinas de piel, tus ganas de huir
yo no quiero cobardes que me hagan sufrir
mejor le digo adiós a tu boca de anís...


(Shakira, Te dejo, Madrid)

Ontem eu estava com o ânimo lascado pra escrever aqui. Por preguiça deixei pra hoje e comprovei a veracidade da máxima “Não deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã”. Mas também ontem foi o dia da viagem... Saí de Ferraz, meu serviço, e fui pra USP, da USP pra Santo André – dei duas voltas completas na Grande São Paulo.

Alguém quer sucrilhos? Comprei um sacão, que estava em promoção no Atacadão de Suzano (aliás, Atacadão vende tudo muito barato, por vender no atacado – olha o merchandising comendo solto ae...), só que como eu não compro perecíveis (categoria de alimentos na qual se inclui o leite), os sucrilhos ficavam encostados no armário. Só hoje que inventei de comê-los a seco, por falta de leite. E não é que é gostoso?

”Se aproveitam da minha nobreza”

Sábado saí do serviço direto pra USP, onde mora um dos meus melhores amigos, o Marcelo, cuja foto eu não ponho aqui porque ele nunca me deixou tirar uma foto dele pra esse fim. Pra compensar, tirei uma foto dum mural improvisado que ele tem na parede do quarto dele, com fotos de alguns dos amigos dele tiradas do Orkut.



Nem falo que a impressão da minha foto foi a que ficou com a melhor resolução... heheheheh.

Adoro o Marcelo. Foi meu primeiro grande amigo na minha vida. Deu todo um apoio quando eu decidi me assumir, no longínquo ano de 1999 e, quando ele resolveu se assumir, dois anos depois, eu também o ajudei (na verdade, a ocasião foi a de ele terminar um namoro com alguém de quem ele gostava muito e eu só fiquei sabendo tempos depois...) e assim criamos uma cumplicidade que só foi quebrada umas duas vezes, por frescura minha. Enfim, graças a ele eu sei como é ser o melhor amigo de alguém, como é ter um melhor amigo. E, mais, com ele eu comprovei na carne que “amores vão, mas amigos ficam”.

El mico del sombrero mejicano

De lá da USP, fui direto pra Santo André – bem umas duas horas de viagem, agravadas pelo fato de aos domingos o transporte maravilhoso da Grande São Paulo (no qual eu trabalho, por más señas) operar com intervalos “diferenciados” (leia-se prolongadíssimos). Fui pro churrasco de aniversário da Nanci, uma grande amiga que estudou comigo durante o Segundo Grau (ETE Júlio de Mesquita, Santo André-SP), que, suspeito, marcou como data do churrasco esse domingo por ter sido minha folga...

Entrei mudo e saí calado da casa dela, porque eu só conhecia, além dela, a Janaina, que também foi minha companheira de turma.



Aqui estamos Janaina, eu e Nanci, pagando o mico de posar com um sombrero mexicano do pai dela. Não sossegaram enquanto todos posaram pra foto com ele. Haja mico... o que umas cervejas a mais não fazem com a humanidade, Jesus amado...

A porção Amélia aprisionada em mim

É, tenho uma Amélia dentro de mim... não venham me dizer que eu tou me achando “a mulher de verdade”, que eu vou mostrar a mulher de verdade pra quem vier tirar uma com a minha fuça. Apesar da noite de vigília e bate-papo com o Marcelo, cheguei em casa com toda uma disposição pra lavar roupa, mas como era domingo e o computador acabou GRITANDO meu nome no quarto de trás, tudo o que eu consegui foi passar meu doce uniforme de serviço.



Nem notem o amassado na parte de baixo da camisa. Era a pressa pra usar a internet.

Creio que é só isso mesmo. Muitos leerão esse post, alguns se deleitarão, outros não verão a menor graça nele, por fim ninguém comentará. Isso é sabido.

Abraços pra quem é de abraços. Quem não é de abraços corre o risco de ganhar uma lambida na testa.

Tracionado até aqui por Naná que às 00h48 não tinha nada melhor pra fazer...
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Eduardos, Sabrinas, cabines e amores extraños

Y cuando llega el mes de abril
y cuando quiero ir al desierto
acabo siempre haciendo un nuevo intento por saber de ti...
cuando decido mejorar,
cuando me digo “esto no es vivir”
me desespero y en este mundo no encuentro alivio
y apareces en lo ajeno...
no sabes cuánto te eché de menos...

tú me besas, yo me hundo y sé
que nadie en este mundo apagaría
ni tu fuego ni mi sed... ni mi sed...


(Alejandro Sanz, Cómo te echo de menos)

Durante muito tempo na minha vida, essa música esteve relacionada ao David, meu primeiro namorado e uma das únicas pessoas que passaram pela minha vida que o tempo não conseguiu apagar. Cuando hay olas en el mar, cuando hay calma y tempestad (y cuando no también), sempre tentava algo de novo com ele. Foram anos, anos pra me dar conta, enfim, de que ele não queria nada mais do que o meu corpo, talvez saciar um pouco a nostalgia do tempo em que namorávamos. Acho que ambos tentamos, mas não podemos nem ser amigos, muito menos ter contato.

Eu é que não vou contar essa história tooooodinha de novo. Acho que nem interessa pra ninguém.

Eduardo e il suo rico salice

Semana passada (é, faz tempo que eu não escrevo nada) veio a São Paulo o Eduardo, um grande amigo meu de Campinas, que eu conheço há quase seis anos, junto com o Gustavo, sua cara-metade, que eu ainda não conhecia. Aproveitei que eu estava de carro com a minha mãe na Rodoviária do Tietê esperando uma parente nossa e desci pro Centro, na Santa Ifigênia, pra buscar os dois. Fomos até a casa da minha mãe deixar o carro e de lá viemos a Poá de trem. Rimos muito os três juntos, matando mosquitos, passeando no shopping de Mogi das Cruzes (na falta de algo melhor...), falando do sanduíche-iche, que, por sinal, eu ainda nem conhecia a história...



O Gustavo demonstrando sua destreza no “uso da língua” para o papai-noel do brinquedinho do Shopping de Mogi. Nem vou dizer que me matou de vergonha porque eu fui pro shopping de sandália franciscana, camiseta regata surrada, boina e bermudão, com os pés sujos de andar na via (férrea).

Eles me convidaram pra ir pra Indaiatuba passear, ver um pouco de verde (como se aqui em Poá o mato não fosse, digamos, mato de tão abundante) e dar uma esticadinha pra ver a Santa de Salto. Já viu a Santa de Salto? Se você pensou em uma Nossa Senhora Aparecida qualquer usando um plataforma de 25 centímetros ou mais, fique sabendo que perto de Indaiatuba existe uma cidade chamada Salto de Itu, onde existe uma santa. Aliás, até onde me chegam os conhecimentos de língua indígena, a palavra itu queria dizer “salto, cachoeira”... que redundância esse negócio de “Salto de Itu”... acho que é pra dizer que o dito salto (o da santa?) é alto mesmo, gigante, o típico salto de Itu.

Pra não dizer que não falei de flores...



... aí vai uma foto da minha flor, a Sabrina, minha sobrinha tão gostosa, cheirosa, tesuda, tudo-de-bom, linda, bonitona, zoiúda e mais alguns adjetivos carinhosos. Se a conta não está errada, ela tem quatro meses. Vai saber, meu negócio nunca foi a matemática... heheheheh.

Andando na linha uma vez na vida

Ontem, eu, de folga, parei na estação do meu bairro natal (José Bonifácio) para cortar o cabelo. De lá decidi ir a São Caetano do Sul, fazendo baldeação no Brás (centro da cidade). Quando o trem chega, (o/a) maquinista é (um/uma) conhecid(o/a) (meu/minha). Como eu estava pronto pra pegar o trem logo no primeiro vagão, bati no vidro da porta pra dar um oi pra (ele/ela). (Ele/Ela) abriu a porta e falou “entra aí, ninguém ta vendo mesmo...” e assim eu viajei na cabine do maquinista pela primeira vez na vida. Por motivos óbvios não vou dizer o nome (do/da) tão generos(o/a) funcionári(o/a). Mas eu pensei que a rotina de maquinista era algo mais emocionante. Pelo que me foi mostrado, o trem faz tudo sozinho, é só você programar. Tem um pedaço da linha entre Itaquera e o Tatuapé sem nenhuma estação, dá uns 10 minutos ou mais. Dá até pra fazer umas besteirinhas na cabine... heheheheh.

Bom, fico por aqui pra não incomodar quem gosta de ler posts pequenos. Aconteceram muito mais coisas na minha tediosa vida de ferroviário, mas não vou atormentar todo mundo com isso. Pra resumir, tive a miragem de ter encontrado a pessoa ideal... mas foi uma miragem.

Fui.


Tracionado até aqui por Naná que às 23h24 não tinha nada melhor pra fazer...
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Não há vestibular que sempre dure

Ven, te daré todos mis sueños,
que vivo de ilusiones,
y así no sé vivir;
aunque no quiera, pienso en ti
y el fuego en que me quemo...
quiero morir en tu veneno,
veneno de tu piel y mi piel...


Alejandro Sanz, Quiero morir en tu veneno

O bom do vestibular é o bom de tudo – um dia ele acaba.

Deixei propositalmente de postar durante esses dias por causa das provas da segunda fase do vestibular da fuDest, para (no meu caso, re)ingressar na USP, a famosa Universidade Sem Professor. Não que os dias tenham sido corridos por causa das provas. É que eu tenho a certeza de que eu ia encher todo mundo com 3 posts seguidos sobre vestibular (à la vestibulando), então deixei tudo pra fazer em um post só.

Domingo, segunda e terça-feiras ABAFADOS... fiz a prova na Unip do Tatuapé, o que foi uma dupla crueldade. Além de ter de caminhar meia hora da estação de trem do Tatuapé até a Unip, o prédio é do lado da sede do Corinthians, onde, no domingo ensolarado da prova de português, centenas de corintianinhos e –inhas LOTAVAM a piscina. E eu, de calça jeans, morrendo de calor, injuriado por perder minhas folgas com vestibular e me segurando pra não dar em cima do fiscal-de-prova, que era um gato (pena que não me deixou tirar foto dele).

Língua Portuguesa, 8 de janeiro

Você, que está lendo, chegou a ler Macunaíma, do Mário de Andrade, alguma vez na sua vida? Pois eu não – e me fodi redondinho. Caiu uma questão sobre a história do herói sem nenhum caráter e eu não sabia nada sobre a obra, além de o fato de o personagem ter sido interpretado no cinema por Grande Otelo e Paulo José. E isso não cai em prova nenhuma. O que eu fiz? Deixei a questão em branco (o que, em se tratando de vestibular da fuDest, pode ser considerado um tiro no pé).
Bem... relaxo não é documento. Também não li nada nunca sobre Manuel Bandeira ou Eça de Queiroz (ou será “Queirós”?) e as duas perguntas que caíram sobre cada um deles eu respondi com maestria, graças ao resuminho do Etapa que eu comprei às vésperas da prova. E eu me matando de ler A hora da estrela, da Clarice Lispector (quer dizer, ler o resumo do resumo) e não caiu... Sorte que também não caiu Fernando Pessoa (um tipo portuga que tinha mania de inventar pessoas fora do próprio Pessoa pra assinar as obras dele, além de ter dado um bolo na Cecília Meireles um dia porque o horóscopo disse que o encontro “não seria favorável”).
Isso foi a metade Literatura da prova. Teve a parte de Uso da Língua (uhm... trabalhos orais são comigo mesmo... heheheh), na qual valeu de algo minha breve experiência como professor de Português de 2° grau. Na verdade, foi isso que me salvou de um vexame absoluto, tanto na prova como na redação. Onde já se viu fazer vestibular sem estudar?

História, 9 de janeiro

Na entrada da prova de História, percebi que os diferentes cursinhos estavam dando a resolução comentada da prova de Português, do dia anterior. Peguei três (Etapa, Anglo e Objetivo) pra conferir com as bostas que eu tinha escrito na véspera. Não resolveu muita coisa, afinal, porque cada um dos cursinhos deu uma resposta diferente pra cada questão, e nenhuma das três combinava com o que eu tinha escrito. Ou seja, prova de português e futebol são umas calcinhas de surpresa.
Abri a prova de História tomado pelo susto que sempre me vem em segundas-fases de vestibular (como se essa não tivesse sido a segunda vez, e sim a décima, que eu passei pra segunda fase da fuDest): ”puta merda, não sei nada”. Acho que isso acontece com todo vestibulando... já de começo a prova perguntava algo sobre os gregos. Putes, quem eram os gregos mesmo? Ahhh... (e a compreensão foi acendendo uma luzinha de colonoscopia no fundo do meu cérebro) era aquele povo dos filmes Alexandre e Tróia, né? Amparado por esse lampejo súbito de lucidez, à pergunta Comente as razões do sentimento de união entre os gregos antigos eu respondi pura e simplesmente que ”era porque eles namoravam os primos e só comiam as primas pra fazer filhos”.

Geografia, 10 de janeiro – hoje


Vendo a resolução comentada da prova de História, vi que teria sido melhor eu ter excluído a parte das primas na pergunta sobe os gregos. Acho que eu enchi muita lingüiça respondendo aquilo.
A prova de Geografia foi, de longe, a mais fácil. Falta de água em São Paulo, furacão Katrina, tsunami na Ásia... se for juntar com a pergunta do mensalão que tinha caído na prova de História, era só ler revista semanal (Veja, IstoÉ, Época) ou assistir o Boris Casoy falando que ”é uma verrrrgonha” e pronto, nem precisava estudar pra prova. O mau é que eu só leio a Veja pra ler a coluna do Diogo Mainardi e xingar o dito. Sendo assim, acabei escrevendo que o tsunami que arrasou o litoral de Minas Gerais só não foi a catástrofe do século porque teve o furacão Katrina no Iraque, cujos efeitos se fizeram sentir no estúdio do SBT, desfazendo o laquê da Hebe Camargo. E, além do que, o século está apenas começando.
Vai uma pergunta pra você (que quiser responder): você sabe de qual Estado brasileiro veio a árvore chamada Araucária, também conhecida como “pinheiro-do-paraná”? Pois bem, segundo a resolução comentada do Objetivo, veio de São Paulo O . o Se estiver certo, eu rodei bonito.

Além do fiscal-de-prova bonito, tudo o que ficou desses três dias de tortura foi uma senhora dor nas costas. Não quero fazer segunda fase nunca mais na vida. Ou então, no caso de eu ter de fazer, vou levar cola Pritt e um monte de revista velha, pra recortar letrinha por letrinha e poupar o trabalho da minha pobre mãozinha e a paciência dos que vão corrigir os milhões de provas e se deparar com uma letra mais feia que a outra.

Bom, já passou, já passou. Agora é só em fevereiro que vou saber se já passei, já passei. Aliás, que dia mesmo de fevereiro? Nem sei.

Cabou.

P.S.: vencido pela curiosidade, acabei de ver no manual da fuDest que o resultado sai dia 8 de fevereiro e a matrícula, no caso de eu ser aprovado, acontece dias 13 e 14. Nenhum desses dias é folga minha.



Tracionado até aqui por Naná que às 00h13 não tinha nada melhor pra fazer...
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Insônia é um saco!

Déjame quererte tanto que te seques mi llanto
que se nuble cada cielo y que llueva hasta hacer charcos
déjame besarte tanto hasta que quedes sin aliento
y abrazarte con tal fuerza que te parta hasta los huesos

y ahora que estás aquí, yo de nuevo soy feliz
pude entender que eras para mí

quiero excederme, perseguirte, pretenderte,
quiero amarte noche y día,
quiero gastarme la vida...

quiero amarrarte a mis sesenta de cintura,
llevarte como un tatuaje,
quiero perder la cordura...


Quantos de vocês têm alguém pra quem dizer isso? E entre os que não tem, nos quais me incluo eu, quantos gostariam de ter?

São duas e pouco da manhã e eu não consigo dormir. Comi um box inteiro de yakisoba do China in Box sozinho às 22h e agora meu estômago tá pesado pra cacete. E eu precisava dormir cedo e estar bem descansado amanhã, que vou fazer prova da fuDest. A de Português, que ainda tenho outras duas (História e Geografia, respectivamente) pra fazer na segunda e na terça.

Entre um milhão e duzentas mil pessoas...

Fiz uma conta rápida de cabeça e calculei como sendo essa a população da região chamada Alto Tietê (Mogi das Cruzes, Itaquaquecetuba, Suzano, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Arujá, Santa Isabel, Biritiba Mirim, Salesópolis e Guararema). Há muitas décadas, um tal de Dr. Kinsey organizou um relatório que pôs os Estados Unidos de cabelo em pé: entre outras coisas, lá diz que pelo menos 10% dos homens de qualquer parte do mundo têm atração pelo mesmo sexo. Se eu incluir o bairro paulistano de Guaianazes nessa conta, a população total vai pra mais de 1.500.000. Dez por cento disso dão uns cento e cinqüenta mil. Imagine... moro numa região com aproximadamente cento e cinqüenta mil gays e estou sozinho!!! Como pode?!

Indo na minha onda hispânica de ter sempre um ditado pra tudo, jogo mais um: quem reza demais por chuva recebe granizo. Quando resolvo fuçar, fuçar e fuçar, qual um palmeirense na lama, pra achar ouro no cascalho, o que encontro? Mais cascalho! Quando não pirita (aquele ouro de tolo, da música do Raul Seixas).

Como uma grande parcela dos jovens da minha geração que podem, freqüento a internet. Vou sugerir à CPTM procurar o cascalho necessário pra asfaltar minha rua de terra na internet... Já fiquei condicionado a pensar que, quando alguém se interessa pelo meu perfil, esse alguém é invariavelmente feio demais ou tem algo que inviabiliza uma relação e, no melhor estilo Ley de Murphy, quando eu me interesso pelo perfil de alguém, esse alguém nem responde às minhas mensagens. Sei que não estou sozinho nisso, mas às vezes é incômodo pensar que, entre esses cento e cinqüenta mil, talvez bem do meu ladinho, pode estar O Cara.

Ah, se foder! Nem sei por que estou escrevendo isso.

Umas fotinhos, pra não perder o costume



Essa é a Vanessa, uma mariposa que apareceu na minha cozinha de repente (Não tenho nenhuma ex- chamada Vanessa, é que, segundo me disseram, a palavra grega para “borboleta” é essa). Bem no alto do armário estava a bichinha. Trepei numa cadeira pra conseguir esse ângulo privilegiado. E, a bem da verdade, quem se importa com isso? Você não? Pois nem eu... heheheheh.

Aliás, estava pensando, entre a infinidade de insetos que povoam meu pobre domicílio, só pros pernilongos eu não arranjei nenhum nome. É uma pena que vocês não saibam mais das minhas relações passadas e nem eu tenho vontade de destrinchá-las aqui. Pensando bem... não tive nenhum namorado que zumbisse no meu ouvido me irritando nem que sugasse meu sangue à noite.

Onde você estava na semana passada?



Pra quem não acredita que passei o réveillon no serviço...

... e nada do sono aparecer. Acho que vou andar pelo bairro. Ou conversar com o vigilante do pátio onde moro, que parece ser bem dotado... uauuuuu!!!

Abraços pra quem é de abraços. Quem não é de abraços ganha minha solene indiferença.

Fui!

Tracionado até aqui por Naná que às 02h42 não tinha nada melhor pra fazer...
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Sem orgulho, mas sem vergonha

Nu pot face nimic,
totul s-a sfărşit
nu pot face nimic
să te opresc

Nu pot face nimic,
totul s-a sfărşit
nu pot face nimic
tot te iubesc

Viaţa n-are sens acum fără tine
Şi nu pot lupta acum fără tine
Tot s-a năruit că un castel de nisit
Dar eu nu pot să te opresc,
Nu pot face nimic...


Não dá pra entender nada da música? Não tem problema... não é pra entender mesmo. Às vezes eu falo/escrevo coisas só pra eu me situar no tempo e no espaço em relação a passagens da minha vida, e não pra fazer algo ficar mais fácil pra outras pessoas entenderem.

Posicionando-me quanto ao post anterior.

Não, não sou heterossexual, como o autor do texto. Sou gay. Assumido, revelado e conhecido. Sou daqueles que não se revelam, mas também não se escondem. Permito algumas confidências a pessoas com quem eu sinto alguma proximidade, alguma relação mais além do “laboral”, do “coleguismo”. Como as notícias voam, claro que a coisa acaba se espalhando além do limite de que gostaríamos, mas são coisas da vida.

Sofri muito, muito quando fui forçado a sair do armário, lá pros idos de 1999. Graças a Deus e aos dons que eu recebi quando nasci, sobrevivi. Foi ao mesmo tempo o início e o fim da minha adolescência. Menos mal, já que eu considero esse ingrato período da vida uma transição traumática. Quando foram passando os fogos dos hormônios e das defesas apaixonadas de posições, a mente foi se acomodando nas opiniões do ser adulto que eu sou. Hoje considero o fato de ser gay algo tão intrínseco, algo tão parte da minha personalidade quanto o fato de fulaninho ser canhoto ou beltrano ter barba rala. Não vejo mais como algo do qual eu devesse me orgulhar. Devo me orgulhar de ter agüentado – e subsistido – ao fato de minha mãe dizer as piores barbaridades na minha cara sem me dar sequer o direito de rebater? Devo me orgulhar de resistir a todo tipo de comentário sarcástico e maldoso de pessoas preconceituosas quando algo deixa evidente a minha orientação sexual? Não – não ao meu ver. Foram passagens da minha vida, coisas pelas quais eu deveria passar. Um canhoto deve se orgulhar de escrever com a mão esquerda? Eu devo me orgulhar ao saber que todos os abridores de latas, tesouras e muitos outros objetos do dia-a-dia foram feitos pra pessoas que, como eu, escrevem e usam mais a mão direita? Não sei do que devo me orgulhar. Nem das virtudes que conservo, já que nesse mundo conservar virtudes que possibilitam a vida em sociedade não é motivo de orgulho, e sim algo pouco mais do que obrigação. Ninguém vive fora das relações sociais impunemente.

Ser gay pra mim se tornou algo tão natural como ser sozinho. Demorei pouco pra me acostumar a não sentir culpa ao admirar um corpo masculino. Uma observação feita desde cedo na minha vida, é muito fácil se acostumar com o que é bom. Ainda estou trabalhando em mim o fato de que sou uma pessoa solitária. Trabalho, me relaciono, rio, brinco. Na volta pra casa, estou sozinho. Durmo sozinho, como sozinho. A casa vazia se tornou pra mim um misto de refúgio e prisão. Não sei se um dia vou me habituar a isso, sabendo que o ser humano tem a predisposição de procurar eternamente uma companhia.

... mas sem vergonha

Contudo, mesmo sendo perenemente solitário, adoro quando algo que acontece me puxa de volta para o mundo das “pessoas sociais”. Não tenho medo de sentir, não tenho medo de me arriscar. Não tenho medo de sofrer, porque isso vem de um jeito ou de outro. Não tenho mais medo de me entregar. Não tenho medo de viver.

Ao término do turno na estação hoje, fiz uma coisa que raramente faço: beber. Para mim, beber é um ato social, porque o gosto do álcool desce rasgando pela minha goela. Bebo pra estar mais próximo de algumas pessoas cuja proximidade vale essa pena. E raramente passo um certo limite.

Bem, atingido o limite, fui embora. No trem na volta, me deparo com um cara muito bonito me encarando – do exato jeito que me atrai: moreno, branco, olhos claros, usando aparelho (uma tara violenta que eu tenho), boné, minha altura aproximadamente. Bati os olhos nele, exclamei pros meus botões ‘puta, que cara bonito’ e desci os olhos pro livro que eu estou lendo (leituras obrigatórias para a Fudest). Congelei a leitura num determinado momento pra notar que o olhar dele se entrecruzava com o meu a todo instante. Olhares cruzando com olhares, sorrisos combinando com sorrisos. Deixei a parecer, na estação de Calmon Viana, que eu iria descer, e fui (felizmente) seguido por ele. Considerando que eu moro sozinho e próximo a Calmon, não preciso entrar em detalhes a partir daqui. A única pena é que ele deu a entender que a coisa não iria passar disso. E eu, que sinto falta de pessoas permanentes na minha vida e, pelo menos fisicamente, ele parecia ideal.

Mas serviu pra me lembrar de que eu não tenho mais a vergonha de viver. Não tenho vergonha de ser. Não tenho vergonha de arriscar. Não tenho vergonha.

Tracionado até aqui por Naná que às 00h58 não tinha nada melhor pra fazer...
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Pode me chamar de gay

Pode me chamar de gay, não está me ofendendo. Pode me chamar de gay, é um elogio. Pode me chamar de gay, apesar de ser heterossexual, não me importo de ser confundido. Ser gay me favorece, me amplia, me liberta dos condicionamentos. Não é um julgamento, é uma referência. Pode me chamar de gay, não me sinto desaforado, não me sinto incomodado, não me sinto diminuído, não me sinto constrangido. Pode me chamar de gay, está dizendo que sou inteligente. Está dizendo que converso com ênfase. Está dizendo que sou sensível. Pode me chamar de gay. Está dizendo que me preocupo com os detalhes. Está dizendo que dou água para as samambaias. Está dizendo que me preocupo com a vaidade. Está dizendo que me preocupo com a verdade. Pode me chamar de gay. Está dizendo que guardo segredo. Está dizendo que me importo com as palavras que não foram ditas. Está dizendo que tenho senso de humor. Está dizendo que sou carente pelo futuro. Está dizendo que sei escolher as roupas. Pode me chamar de gay. Está dizendo que cuido do corpo, afino as cordas dos traços. Está dizendo que falo sobre sexo sem vergonha. Está dizendo que danço levantando os braços. Pode me chamar de gay. Está dizendo que choro sem o consolo dos lenços. Está dizendo que meus pesadelos passaram na infância. Está dizendo que dobro toalha de mesa como se fosse um pijama de seda. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou aberto e me livrei dos preconceitos. Está dizendo que posso andar de mãos dadas com os anéis. Está dizendo que assisto a um filme para me organizar no escuro. Pode me chamar de gay. Está dizendo que reinventei a minha sexualidade, reinventei meus princípios, reinventei meu rosto de noite. Pode me chamar de gay. Está dizendo que não morri no ventre, na cor do íris, no castanho dos cílios. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou o melhor amigo da mulher, que aceno ao máximo no aeroporto, que chamo o táxi com grito. Pode me chamar de gay. Está dizendo que me importo com o sofrimento do outro, com a rejeição, com o medo do isolamento. Está dizendo que não tolero a omissão, a inveja, o rancor. Pode me chamar de gay. Está dizendo que vou esperar sua primeira garfada antes de comer. Está dizendo que não palito os dentes. Está dizendo que desabafo os sentimentos diante de um copo de vinho. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou generoso com as perdas, que não economizo elogios, que coleciono sapatos. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou educado, que sou espontâneo, que estou vivo para não me reprimir na hora de escrever. Pode me chamar de gay. Que seja bem alto. A fragilidade do vidro nasce da força e do ímpeto do fogo.


Fabrício Carpinejar

Tracionado até aqui por Naná que às 01h34 não tinha nada melhor pra fazer...
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No te bajes, no te bajes,
oye, negrita, mira, no te rajes...
de lunes a viernes tienes mi amor;
déjame sábado a mí, que es mejor.
Oye, mi negra, no me castigues más
porque allá afuera sin ti no tengo paz...
yo sólo soy un hombre arrepentido
y como el ave que vuelve a su nido...


Já passou das 23h e estou no aconchego do lar, olhando pra tela do computador, ouvindo Shakira e o tilintar dos talheres dos pernilongos, meus sempiternos companheiros de Calmon Viana, que sentiram falta do seu jantar de todas as noites durante esse ano novo, já que eu trabalhei no período noturno dias 31 de dezembro e 1° de janeiro.

Fazendo uma pausa necessária, acabei de entrar no meu blog e vi que o post anterior teve o recorde de DOIS COMENTÁRIOS!! O comentário do Andy, de praxe, e o da Daniela, uma ijuiense (é assim que se chama quem nasce em Ijuí – RS?) que tem um blog muito legal, http://dactilusnigrus.blogspot.com ou algo do tipo. Esse nome do blog dela me faz lembrar a minha infância, nas raras vezes em que eu comia bombom de chocolate e ficava com os dedos pretos... heheheh

É, foi infame, mas quem sabe a intenção não era justo essa...

Aliás, alguém me ensina qual o código HTML pra colocar link nessa joça? Meu infindo conhecimento se resume ao itálico e ao negrito e vou assimilando conhecimentos dessa ordem aos poucos. Beeeeem aos poucos.

Uma hora de trabalho para cada dente da boca

Posso dizer com certeza que nunca antes tinha trabalhado tanto: entrei na estação às 13h30 (oficialmente, porque na verdade cheguei bem antes disso) de 31 de dezembro, saí às 5h30 (idem, porque saí antes) de 1° de janeiro pra voltar no mesmo dia às 13h30 (na verdade já estava lá às 12h30) e trabalhar até as 5h30 de hoje, dia 2 de janeiro (foi às 5h30 de verdade, enfim). Tal carga horária kamikaze tem um único culpado: a fuDest. É duro trabalhar em regime de escala e fazer vestibular – os organizadores de vestibular acham que todo mundo que está se esfalfando de estudar pra conseguir um lugar às trevas na USP (Universidade Sem Professores) são adolescentezinhos de 17 anos bancados pelos pais e que não têm nada de melhor que fazer aos finais de semana em janeiro além de ir à balada e beijar todas (ou todos, vai saber).

As provas da segunda fase tomarão três dias da vida de uma cacetada de neguinhos e neguinhas que por diversos motivos não querem pagar pra fazer faculdade – no meu caso esses três dias serão 8, 9 e 10 de janeiro. Meu problema é que eu folgo a cada três ou quatro dias e essas folgas nem sempre (ou melhor, quase nunca) coincidem com compromissos marcados por outras pessoas que não a gente. Dias 9 e 10 eu estaria trabalhando, mas fiz um chamado “bem-bolado” com um colega que trabalha no turno da noite: ele trabalharia esses dois dias por mim e eu, em troca, trabalharia no turno dele dias 31 de dezembro e 1° de janeiro. Nem preciso dizer quem saiu ganhando na história.

Trabalhei 32 horas praticamente sem descansar. Esse arranjo serviu pelo menos pra me resolver um problema, além das folgas para o vestibular: onde passar a virada de ano. Sempre me vejo enroscado nesse dilema. Onde devo me aborrecer dia 31 de dezembro? Na Paulista, no meio da muvuca de gente (onde eu me sinto numa “parada hétero”, com som ensurdecedor e nenhum casal gay se beijando pra eu poder me sentir em casa)? Com o “núcleo duro” da minha família? Na casa de algum amigo que também não curte essa babaquice de virada de ano? Sozinho, eu e os pernilongos, Reginaldos e Vivianes, em Calmon Viana? Pois bem, como eu me sentiria aborrecido em qualquer lugar, preferi ganhar pra isso.

Agüentei a noite à base de Red Bull® (nem faço merchandising, é só porque no momento me fugiu o nome genérico desse tipo de bebida). Ontem eu tomei três, um seguido do outro. Ô negocinho ruim – pra quem nunca tomou, imagine um ki-suco de abacaxi, daqueles que são vendidos a R$ 1,00 em qualquer padaria da Vila Brasilândia ou de Olaria, hiper concentrado. Pronto, imaginou? Agora imagine que ele foi preparado usando água com gás. Et voilà! O que sei é que o bicho realmente funciona. O encarregado da noite chegou chumbado às 21h30 do dia 1°, tomou um gole e ficou aceso durante todo o turno, até as 5h30. Imagine eu, que tomei 3 latas.

Alguém se lembra de um episódio dOs Simpsons onde a Maggie, por falta de vigilância alheia, tomou um pote inteiro de sorvete de café e ficou a noite inteira sem dormir? Foi o que aconteceu comigo. Nas parcas 6 horas de descanso que eu tive entre uma jornada e a outra, fiquei deitado na cama olhando pro teto, contando pernilongo. Tal como conspira a lei de Murphy, quando comecei a relaxar e pegar no sono, tocou o despertador. Em compensação, as 16 horas seguintes eu passei tri-acordado. Cheguei em casa hoje de manhã disposto a dormir e acordar às 16h ou depois. Humpft... minha mãe me liga às 12h, crente de que eu estaria me preparando pra trabalhar. E não dormi mais...

Gaaaaaah, escrevi um monte de coisa nada-a-ver! F*da-se!

Peguei roupa pra lavar. Mal pus a roupa de molho e começou a chover. Parou de chover só às 23h e não vou me atrever a sair no quintal a essa hora pra lavar roupa – sou louco, mas ainda não estou rasgando dinheiro.

Termino por aqui, já que duvido que alguém vá ler esse post inteiro.

P.S.: Aí vai uma enquête pra quem quiser responder:
Como você dribla o sono quando precisa ficar acordado?

(__) com café (porque todo mundo pensa nisso logo de cara)?
(__) com rebites/remédios (pra atacar a gastrite e você não pegar no sono por causa da dor de estômago)?
(__) dando ao seu irmãozinho adolescente o CD com que ele sonhava havia meses (pra ele colocar no CD player no último volume até quando conseguir memorizar todas as letras)?
(__) bebendo algum energético (lembrei do nome!!) (pra você ter a impressão de que está na balada)?
(__) colando durex no olho pra ele ficar aberto?
(__) outro (por favor, diga qual – não conheço nenhuma outra forma)

P.S. 2 (que não é o PlayStation): Alguém se lembra de que eu tentei uma vez cozinhar? Pois bem. Foi uma experiência única – nunca mais repeti. Devo? Olhando o arroz com frango que até agora estão na geladeira, penso mais de duas vezes.

P.S. 3: Já que não pus foto nenhuma hoje, vou colocar uma bem despropositada, só pra não fugir ao costume.

See you, folks!


Pra quem achava que o nome Calmon Viana foi invenção minha.



Tracionado até aqui por Naná que às 00h15 não tinha nada melhor pra fazer...
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Si te divierte verme y te gustan mis besos
y me ves como el perfecto compañero de tertulias,
si soy tu amigo con derecho mientras te dure la parranda,
no te enamoraste de mí, sino de ti cuando estás conmigo...


Cá estou eu, plenas 22h30, sentado na frente do computador pensando em algo de interessante que tenha acontecido hoje pra poder pôr no blog.


Há ex-namorados que vêm para bem

Na próxima encarnação, alguém me lembre de nascer em algum país menos tropical, por mais que seja o Nepal, os Andes peruanos ou a Sibéria, onde, tenho certeza, não existem pernilongos. Moro num lugar tranqüilo, perto de um centro comercial regular, praticamente dentro de uma estação de trem. Se eu tenho algum motivo para reclamar, que não seja a rua de terra, são os pernilongos (por causa da proximidade com o rio Tietê, já ouviram falar?) Desde cedo percebi que sem um ‘protector-elétrico’ (olha o merchandising aí, geeeente), qualquer batalha que eu empreenda contra tais hematófagos está fadada a ser uma batalha perdida. E como no meu quarto (assim como em todos os outros cômodos da casa) só tenho uma única tomada, se eu ligar um ‘protector-elétrico’ eu tenho que desligar o resto – e eu posso até passar a noite sendo prato-feito de pernilongo, mas nunca sem computador. A única arma que eu consegui pensar e que me foi de valia foi o repelente – eles continuam voando ao meu redor, mas pelo menos não abusam do meu ‘caldo-de-mocotó’ (meu tornozelo está cheio de marcas até hoje).

Falando nisso, não passei repelente ainda. Pausa...

Nessa de estratégias contra os pernilongos, fui até na onda ‘greenpeace’ do equilíbrio ecológico, lançando mão do controle biológico de pragas, leia-se predadores naturais contra os bichinhos-do-inferno. Um belo dia apareceu no meu quintal cheio de mato o Reginaldo, um sapo que resolvi adotar (adotar como alvo dos meus pontapés – por que será que ele foge quando eu chego perto?).



Aqui em casa tenho também as Vivianes, uma família de aranhas, mas como elas vivem nos rincões do teto, a câmera do meu celular não consegue tirar uma foto boa delas. As Vivianes adoram insetos – provas disso são as inúmeras arapucas que elas armam nos quatro cantos da casa e que amanhecem cheias de carcaças de bichos-do-capeta – mas, como não têm asas, não podem fazer milagres. Imagine se aranha voasse... aí, sim, eu teria medo delas.

Ah, a razão desses nomes tão prosopopaicos é a mesma para ambos: tanto Reginaldo como Viviane foram duas pessoas por quem eu fui cega e perdidamente apaixonado, e como o amor é cego eu não via quem realmente eles eram. Todos ao meu redor viam, claro, menos eu. Mas como um dia a verdade chega pra todo mundo, dei uma de Carolaine e fui para a luz, à la Poltergeist. Não foi tudo em vão – restou a lembrança terna e carinhosa dessas nobres personagens da minha vida, tão carinhosas e ternas que emprestaram seus doces e afáveis nomes a dois bichinhos asquerosos dos quais não quero nada mais que me aproveitar.

Dia quase totalmente em vão

Hoje saí com o meu irmão mais novo, o Abner.



Ele precisava fazer umas ‘correrias’ no Centro de São Paulo e eu, espairecer um pouco depois de uma noite semidesperdiçada na cozinha. Fomos juntos pra dar-nos mutuamente força moral para nossas empreitadas. Fiz toda uma via-crúcis no centro (Caixa – prefeitura – caixa de novo – prefeitura de novo – COHAB) pra ver se conseguia me inscrever em algum programa habitacional para enfim obter o meu próprio cafofo. Resumindo a história, foi tudo debalde. O dia só não foi totalmente inútil porque no Terminal Bandeira (onde fui me despedir do meu irmão, que ia rumo à Marginal Pinheiros) acabei topando com um soldado da PM que, por morar na cidade onde eu trabalho, sempre entra de graça na estação (mesmo sem farda algumas vezes). Diga-se de passagem, LINDO, enorme, com aquelas mãos que apertam firme a sua. Não é o caso de fuçar na cabeça do cavalo atrás de chifre, mas valeu o dia ele ter me reconhecido (”Ei, tu não é o carinha que trabalha lá na estação?”).

Só pra constar, adoro uma farda. É um daqueles fetiches que eu jamais vou realizar.

Quem conta um conto...

Fuçando nas minhas gavetas, achei um dos (milhares de) contos meus inconclusos. Quando eu apenas dava aulas e passava metade do meu dia entre trem e metrô, aproveitava o séjour involuntário no sistema de transporte metroferroviário e soltava as rendas da imaginação. O começo dos meus contos sempre é empolgante e o ritmo vai caindo conforme o negócio se estende (um misto de impotência com ejaculação precoce). Só completei um ou dois contos na minha vida e nenhum dos dois eu conservo até hoje – só ficaram os incompletos. Estou na dúvida se eu posto o conto aqui, já que não vou ter leitores... heheheh. É o relato de um dia na vida de um balconista de loja que trabalha numa rua chamada Doze de Junho... mas eu o escrevi como continuação de um conto incompleto, que eu já perdi, aliás.

Bem, já me estendi demais. Vou dormir.

P.S.: pra quem quer ver uma foto recente minha – é a foto mais ‘anos 50’ que eu tenho. Nem preciso dizer que é foto de celular e que eu estou no serviço...



Tracionado até aqui por Naná que às 23h16 não tinha nada melhor pra fazer...
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